A Missão de Kardec na Terra - artigo


A MISSÃO DE KARDEC NA TERRA


         Na história da civilização do nosso Planeta, há criaturas que nasceram em épocas imemoriais e que trouxeram largas luzes para a humanidade. Exemplos marcantes existem em profusão: os filósofos e pensadores gregos, tais como Tales de Mileto, Demócrito, Protágoras, Xenofonte, Aristóteles, Sócrates; vultos espiritualizados, como Buda, Confúcio, Fo Hi, Zoroastro, Krishna, Isaías, Jeremias; cientistas, como Galileu Galilei, Kepler, Copérnico, Isaac Newton.

         Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que, dada a impossibilidade de eles terem obtido tais e tantos conhecimentos em encarnações anteriores aqui no nosso planeta  ‑‑  dado o grau de atraso ou de embrionário desenvolvimento das épocas em que nasceram e viveram  ‑‑, somente podem ser qualificados como missionários. Ou seja: vieram de outras esferas, trazendo consigo todo o conhecimento angariado em milenares encarnações em mundos mais adiantados, aqui reencarnando exatamente com a missão de auxiliar no desenvolvimento da humanidade terráquea, como num impulso adicional para provocar uma mais rápida evolução.

         Isso já houvera ocorrido com civilizações inteiras que foram beneficiadas com a vinda de seres de outros sistemas estelares, como dá conta o livro A Gênese, no capítulo XI, itens 35 e seguintes, explicitando o modo como se deram imigrações de verdadeiras colônias de Espíritos de outras esferas mais adiantadas, dando origem à raça adâmica aqui no planeta, que, ao depois, Emmanuel esclareceu (A Caminho da Luz) que se tratavam de Espíritos vindos de orbes purificados física e moralmente do sistema de Capela, estrela lá da longínqua Constelação do Cocheiro, (veja-se a analogia constante do Livro dos Espíritos, questão 786, em belíssima figura de metáfora).

         Fatos como esse é o que conceituamos como “socorro do alto”, ou seja: quando a humanidade não se desenvolve convenientemente por seus próprios meios, a Lei Natural ou Divina imediatamente providencia os recursos necessários para suprir a deficiência e impulsionar a evolução mais rápida e eficazmente. Confira-se no Livro dos Espíritos, questão 783.

         Pois, então! Partindo do fato histórico libertário da revolução francesa, desde o início do século XIX, a espiritualidade encarregada da evolução do nosso planeta e da sua humanidade verificou o verdadeiro marasmo em que se encontravam as coisas por aqui e houve uma decisão literalmente revolucionária: reencarnariam como que de uma vez só, ao largo do século, Espíritos evoluídos, luminares em suas respectivas atividades. Em todos os ramos da Ciência surgiram iluminados que fincaram as bases do conhecimento moderno: na Biologia, na Química, na Matemática, na Física, na Arquitetura e na Engenharia, na Astronomia, na Medicina, tais como Mendel, Laplace, Pascal, d’Alembert, Maxwell, Ampère, Foucault, Coulomb, Doppler, Edison, Franklin, Faraday, Galvani, James Watt, Lamarck, Darwin, Flammarion, e tantos outros. Igualmente nas Artes: na música, na prosa, na poesia, na pintura, como Toulouse Lautrec, Renoir, Vincent Van Gogh, Frederic Chopin, George Sand, Monet, Flaubert, Victor Hugo, Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, Guy de Maupassant, Prosper Merimée, Leon Tolstoi... e assim por diante!

         Era o século das luzes, em oposição às trevas e dos grilhões da ignorância que se estabeleceram com a Inquisição, desde cerca do ano 1400. E a França era o centro da libertação cultural, da renovação do conhecimento e da cultura universal. Os que lá não eram nascidos, para lá foram desenvolver suas habilidades e seus misteres. De lá irradiavam para o mundo todo esse manancial de novos conhecimentos da civilização terrena. Era um novo socorro do Alto!

                   É nesse palco de grandes transformações, mas que poderia sucumbir diante do despotismo a que se lançara Napoleão  --  que, por seu turno falhara como missionário da reorganização do povo francês e do estabelecimento de uma paz mundial ‑‑,que o mundo espiritual se preparou para fazer com que o a Terra recepcionasse o Consolador que fora prometido por Jesus. “Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre, pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembléias numerosas se reúnem e confraternizam nos espaços, nas esferas mais próximas da Terra. Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame, em Paris, nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo.” (Emmanuel, A Caminho da Luz, cap. XXII).

         Allan Kardec  --  cognome assumido pelo Prof. Hyppolite Léon Denizard Rivail, um dos mais aplicados discípulos de Pestalozzi  ­­‑‑  fora o espírito talhado para essa tarefa: antigo druida que vivera na Gália com esse nome, ao tempo de Júlio César; e, segundo os historiadores, fora em outra encarnação João Huss, um reformador religioso que viveu por volta de 1400, com fervoroso opositor aos dogmas da igreja reinante.

         “O Espiritismo vinha, desse modo, na hora psicológica das grandes transformações, alentando o espírito humano para que se não perdesse o fruto sagrado de quantos trabalharam e sofreram no esforço penoso da civilização. Com as provas da sobrevivência, vinha reabilitar o Cristianismo que a Igreja deturpara, semeando de novo, os eternos ensinamentos do Cristo no coração dos homens.Com as verdades da reencarnação, veio explicar o absurdo das teorias igualitárias absolutas, cooperando na restauração do verdadeiro caminho do progresso humano (...) para concluir que a única renovação apreciável é a do homem íntimo” (...) ao ensinar “a fraternidade legítima dos homens e das pátrias, das famílias e dos grupos” (...) de sorte que “só o Espiritismo pode representar o valor moral onde se encontre o apoio necessário à edificação do porvir”.(idem)

         No resumo do Espírito Manoel P. de Miranda, recepcionado pela mediunidade de Divaldo P. Franco (Loucura e Obsessão, cap. 17), foi o codificador “o missionário escolhido para trazer o Consolador, unir a Ciência à Religião, colocar a ponte entre a Razão e a Fé, legando à Humanidade essa Obra ímpar, que é o Espiritismo.”

         Eis, assim, a difícil, mas meritória, missão de Kardec na Terra: instrumento do Alto para fazer evoluir o Ser Imortal, mediante o esclarecimento de onde veio, porque existe e para onde vai, aperfeiçoando-se moral e intelectualmente rumo à inevitável perfeição!

Francisco Aranda Gabilan


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